Quando o amor aperta ou isola em excesso

Introdução

Olha, eu tô bem animado pro livro que eu vou trazer hoje pra vocês. O Maneiras de amar, anteriormente chamado de Desapegados, é um livro da autoria do Dr. Amir Levine, psiquiatra e neurocientista e Rachel S.F. Heller, graduada em Ciências do Comportamento e mestre em Psicologia Socio-Organizacional pela Universidade Columbia.

Esse livro, como o nome original sugere, fala sobre Teoria do Apego. O objetivo dos autores foi traduzir o que existe de material científico sobre a Teoria do Apego para uma linguagem que pudesse ser assimilada pelo público em geral.

E o que é a Teoria do Apego? A Teoria do Apego designa três principais estilos de apego ou maneiras de amar, que são as formas pelas quais as pessoas percebem e reagem à intimidade nos relacionamentos amorosos. Esses estilos são semelhantes àqueles encontrados em crianças: o Seguro, o Ansioso e o Evitativo.


Pessoas seguras sentem-se à vontade com a intimidade e em geral são carinhosas e amorosas; ansiosos desejam intimidade, costumam se preocupar com os relacionamentos e tendem a ter dúvidas da capacidade dos parceiros em corresponderem o seu amor; e os evitativos entendem a intimidade como uma perda da independência e tentam constantemente minimizar a proximidade.

Essas pessoas tem diferentes formas de ver a intimidade e a união, de lidar com conflitos, de tomar atitude em relação ao sexo, na capacidade de comunicar desejos e necessidades e nas expectativas que nutrem a respeito do outro e do relacionamento.

O meu primeiro contato com Teoria do Apego foi por meio de alguns vídeos do canal The School of Life. Também há um vídeo bom do Tempero Drag sobre esse mesmo tema.



Eu comprei esse livro pra me educar emocionalmente e saber um pouco mais sobre, em especial porque eu passei por uma dinâmica descrita aqui, que seria a de uma relação de estilos ansioso-evitativo.

Eu achei tudo que eu encontrei aqui bem explicado, ilustrado e muito esclarecedor.

O comportamento em relacionamentos

O livro começa fazendo uma introdução sobre esses três tipos de abordagem, sobre o sistema de apego, os laços evolutivos que estão relacionados a isso, o objetivo do livro em tornar possível mudanças práticas na vida das pessoas a partir desses estudos e a maneira como a gente precisa passar a enxergar melhor o conceito de dependência e as nossas necessidades básicas de intimidade.

O livro tem vários exemplos de casos de relacionamento diferentes. Ele começa falando da Tamara e do Greg, que são um exemplo de par ansioso-evitativo. De início, ela se encantou com ele e da forma como ele a confortava, mas, ao mesmo tempo, ele também dava sinais contraditórios, de não querer muita proximidade ou compromisso.

Ela continuou com ele mesmo assim, afinal, a gente tem de fato uma cultura de acreditar que o amor sempre vence, mas com o tempo as coisas passaram a ser mais difíceis. Ele estava sempre ocupado, sempre trabalhando e ela se tornou hipersensível a qualquer sinal de separação. Eles alternavam momentos de afastamento e afeto. Depois de um tempo, tantos altos e baixos deixaram Tamara extremamente drenada e o relacionamento terminou desastrosamente.

Tamara era inteligente e sofisticada e era difícil pros outros ao redor verem ela de uma maneira tão indefesa, e o Greg, por outro lado, emitia mensagens conflitantes, embora verdadeiramente gostasse ou mesmo amasse a Tamara.

Mais ou menos nessa época, o autor do livro trabalhava de meio período no Berçário Terapêutico da Universidade Columbia, onde conduzia terapia com base no apego pra ajudar nos vínculos de mãe e filho. Foi aí que ele começou a aprofundar o conhecimento dele sobre e colher pesquisas que relacionavam esse padrão de crianças e pais aos padrões encontrados em relacionamentos românticos, e descobriu que isso podia ter implicações muito relevantes na vida cotidiana. Aí ele ligou pra Rachel, os dois traduziram esses dados científicos e esse livro surgiu.

A teoria do apego consegue descrever e prever os comportamentos da Tamara e do Greg. A Tamara pensava constantemente sobre a relação, continuava com o Greg e tinha sensibilidade ao que ele fazia; o Greg se distanciava, encontrava defeitos nela, e queria se aproximar dela, mas mesmo assim se afastava, não porque ela não era boa ou porque ele não estava a fim, mas porque sentia que eles estavam cada vez mais próximos – o que era próximo demais pra ele. E um acabava retroalimentando a tendência natural do outro. Ela ficava cada vez mais carente com ele e ele cada vez mais distante com ela.

Cada indivíduo se encaixa melhor em uma dessas categorias. Cerca de pouco mais de 50% das pessoas são seguras, 25% são evitativas, 20% ansiosas e de 3% a 5% restantes caem numa categoria incomum, desorganizada ou ambivalente, que combina os estilos ansioso e evitativo.

Uma pessoa pode mudar de tipo de apego? Segundo as pesquisas, sim. Embora envolva um fator biológico, uma pessoa de apego inseguro pode buscar precisamente o que ela tem necessidade e desenvolver um modelo comportamental seguro, assim como o contrário, uma pessoa segura pode assumir uma posição insegura dentro de uma relação. Em geral essas mudanças levam tempo e é melhor e mais fácil quando feitas de maneira consciente.

Traço evolutivo

Por razões evolutivas, nós fomos programados para destacar nas nossas vidas algumas pessoas específicas e torná-las especiais pra nós. Fomos criados pra depender de alguém que consideramos importantes.

Isso é evolutivo: em tempos pré-históricos, aqueles que contavam apenas consigo mesmos estavam mais propensos a acabar como presas. Os que tinham alguém importante quase sempre sobreviviam e transmitiam a seus descendentes a preferência por estabelecer relações íntimas.

É por causa disso que nosso cérebro tem um mecanismo biológico responsável especificamente pela criação e regulação da nossa conexão com pais, filhos e parceiros românticos. Esse mecanismo é chamado sistema de apego. Ele explica por que uma criança afastada da mãe fica agitada, a procura com desespero ou chora de modo incontrolável até reestabelecer contato. A gente chama essas reações de comportamento de protesto e continuamos manifestando, de outras maneiras, na vida adulta.

Um aspecto extremamente importante da evolução é o que chamamos de heterogeneidade. Variamos muito em aparência, atitude e comportamento. Precisamos de variação, porque diferentes condições nos obrigam a desenvolver diferentes maneiras de sobrevivência.

Assim, quando o ambiente é muito perigoso, o desenvolvimento do sistema de apego oscila mais entre dois limites: ou o apego é menor e não há formação de vínculos tão fortes, porque o outro pode acabar não permanecendo ali por muito tempo, o que dá origem ao estilo evitativo; ou, nas mesmas condições, a opção pode ser uma intensa persistência e hiper vigilância a um objeto de apego, o que origina o estilo de apego ansioso. Já num cenário mais calmo, pacífico, os vínculos íntimos formados com grandes investimentos a um indivíduo específico propiciam mais benefício pra pessoa e pros descendentes, e daí vem o estilo de apego seguro.

Nosso cérebro emocional atravessa o tempo e, mesmo hoje em tempos modernos, a gente lida com essas questões de forma muito parecida com o que faziam nossos ancestrais.

A teoria do apego pode ser útil pra qualquer pessoa, porque explora não só o que vai mal em relacionamentos, como também o que funciona.

Paradoxo da dependência

Um conceito muito interessante apresentado no livro é o “Paradoxo da dependência”, que diz que quanto mais efetivamente dependentes as pessoa são uma das outras, mais independentes e audaciosas elas se tornam”. Isso acontece porque, em geral, a nossa capacidade de explorar o mundo deriva da consciência de que tem alguém com quem podemos contar ao nosso lado, o que chamamos de “base segura”.

Quando é permitido que uma pessoa dependa, ela tende a ser torna mais independente, exatamente porque a necessidade está sendo atendida. É o oposto disso que acontece em uma relação ansioso-evitativo, porque uma pessoa dá amor e, não recebendo esse amor de volta, acaba não tendo sua necessidade atendida, sentindo uma falta de tranquilidade crônica. A falta de uma base segura a torna cada vez mais e não menos carente.

Depender é uma carência humana, parte da nossa composição genética, e essa necessidade em si não tá relacionada com a pessoa ter ou não amor-próprio ou ser ou não realizada como um indivíduo.

Mito da codependência

A nossa cultura infelizmente menospreza a necessidades de intimidade, proximidade e especialmente de dependência enquanto exalta a independência. Pra você ter uma ideia, no início do século passado, era publicada em manuais (Psychological Care of Infant and Child) a ideia de que crianças deveriam ser autossuficientes, adaptáveis, capazes de resolver problemas, não chorar e focar nas tarefas e brincadeiras. Às vezes, a gente não tem nem adultos que são desse jeito, quem dirá crianças.

Havia a ideia de que crianças se mantinham perto da mãe pelas necessidades nutritivas. O que foi descoberto mais tarde é que bebês que tinham as necessidades nutricionais supridas, mas não tinham com quem manter vínculo não conseguiam se desenvolver normalmente. O desenvolvimento físico, intelectual e social era comprometido. Sendo assim, parece óbvio, mas demorou um tempo pra ficar claro que a presença do cuidador é tão importante pra criança quanto a água e o alimento.

Esse mesmo preconceito existe nas relações amorosas. Há uma crença de que existe uma deficiência se uma pessoa se permite depender da outra. E aí eu te pergunto: pra que que se relacionar, e não só amorosamente, mas de maneira geral, se você não vai poder ter a firmeza de contar com as pessoas?

Os ensinamentos do movimento de codependência são muito importantes e úteis, quando a gente lida com questões graves de família, como abuso de drogas, abuso de álcool ou com relações abusivas, mas não são justas quando aplicadas indiscriminadamente a qualquer relacionamento.

A verdade biológica

Na verdade, o que acontece quando a gente se apega a alguém é que a parceria passa a formar uma unidade psicológica. Até mesmo reações físicas passam a ser reguladas, como pressão sanguínea, batimentos cardíacos, ritmo da respiração e níveis de hormônio do sangue. A dependência é um fato e não uma preferência.

O que a gente precisa ser capaz de fazer é, quando se associar com alguém, se associar com pessoas que possam lidar com essa necessidade, que se sintam à vontade nesse papel.

Organização do livro

O livro é dividido em 4 partes: uma para identificar os tipos de apego, a seguinte para aprofundar o conhecimento de cada um deles, a terceira especificamente sobre relações ansioso-evitativo e como ou encontrar mais segurança, ou então romper a relação; e a última parte especialmente sobre o jeito seguro, como ter uma comunicação efetiva e lidar com conflitos.

Reconhecendo o tipo de apego

O livro é bastante didático e fornece alguns esquemas e tabelinhas pra deixar mais clara as explicações.

Existe, por exemplo, um quadro pra representar as duas dimensões do apego. Dá pra ver nele que pessoas seguras e evitativas tendem a sentir baixa ansiedade dentro de relacionamentos, enquanto pessoas seguras e ansiosas sentem baixa evitação. O tipo ansioso-evitativo teria uma mistura de ambas as características, sendo o total oposto do seguro.


Existem tabelas pra calcular o quanto o leitor ou o parceiro correspondem a cada tipo e uma tabela só de listagem de características que eu achei bastante útil. A recomendação é se atentar para preferências em relação a proximidade, reações diante de comunicação efetiva e o que as atitudes da pessoa expressam.

Alguns exemplos de marcas de comportamento são:

  • O evitativo enviar sinais contraditórios, valorizar muito a própria independência, desvalorizar o parceiro atual ou anteriores, se distanciar emocional ou fisicamente, ser inflexível e ter dificuldade em deixar claro o que está acontecendo entre ele e a parceria.

  • O ansioso querer muita proximidade, preocupar-se com rejeição, fazer joguinhos pra manter a atenção ou o interesse, ter dificuldade em expressar incômodo, permitir que o outro dê o tom do relacionamento e acreditar que deve se esforçar pra manter o interesse da outra pessoa;

  • E o seguro é consistente, tem uma visão flexível de relacionamentos, comunica as questões, encontra meio-termo em discussões, não tem nem o compromisso nem a dependência, não demora a apresentar os amigos e a família e não faz joguinhos.
O livro dá estudos de caso também, pra facilitar a ideia geral. Neles, fica bem detalhado o modo de agir de cada estilo.

Estilo de apego ansioso

As pessoas de apego ansioso têm um sistema de apego supersensível. Elas são muito boas em perceber mudanças e nuances emocionais, melhor que a média das pessoas, desde que não tenham de agir precipitadamente, o que podem ser mais propensas a fazer.

Elas lançam mão de muitas estratégias de ativação, que são formas de se aproximar do parceiro. Pensam demais a respeito, colocam pessoas em pedestais, podem considera-las suas únicas chances no amor e que mesmo infeliz pode ser melhor não desistir da relação.

Lembra que eu comentei que crianças reagem à falta da mãe? Os comportamentos adotados são chamados de comportamento de protesto e acontecem também com adultos. Alguns comportamentos de protesto de pessoas ansiosas dentro de relacionamentos podem ser tentar excessivamente reestabelecer contato, ignorar o parceiro, não por desatenção, mas para dar o troco, ameaçar partir, manipular, provocar ciúme e agir com hostilidade.

Em geral, pra ajudar a evitar tudo isso, é melhor que se relacionem com parceiros com quem possam encontrar a estabilidade, intimidade e companheirismo que tanto procuram.

Por que relações ansioso-evitativo são frequentes?

Agora algo bem perturbador e interessante: pessoas evitativas e ansiosas tendem a ficar umas com as outras. Isso acontece por diversas razões:

Eles reafirmam as crenças sobre si mesmo e sobre relacionamentos um do outro. Os evitativos confirmam a própria autoimagem de indivíduos fortes e independentes e a narrativa de que os outros são excessivamente exigentes. Os ansiosos confirmam o medo que geralmente possuem de serem rejeitados e de desejarem mais intimidade do que o outro consegue fornecer.

A montanha-russa emocional dessas relações, que é um grande morde-assopra, é confundida com as oscilações de uma paixão. Sabe aquela visão de intensidade, romantismo, toda uma história de “você mexe comigo”, extremamente dramática? É isso. Só que não é a coisa da paixão, é só um sistema de apego estressado.

Por fim, os evitativos costumam passar mais tempo solteiros, porque terminam mais as relações. Eles não costumam se relacionar entre si, porque como evitam proximidade, falta aquela “cola” que mantém os casais juntos. Como eles tendem a preferir parceiros ansiosos, é muito mais fácil que uma pessoa ansiosa acabe encontrando uma pessoa evitativa e que, numericamente, essas relações acabem privilegiadas.

Encontrando um parceiro seguro

Quando uma pessoa ansiosa encontra um parceiro seguro, a relação tende a ser muito mais satisfatória. No início pode parecer que é uma relação menos faiscante, exatamente porque falta esse estresse do sistema de apego, mas a longo prazo, é um grande acerto. Não existe medo da intimidade, nem mensagens ambíguas ou tensão prolongada. Pessoas de apego seguro são mais abertas e tendem a lidar melhor mesmo com os conflitos que surgem na relação, lidando mais facilmente com imprevistos e discordâncias.

Pra que isso aconteça, é necessário reconhecer suas verdadeiras necessidades dentro de um relacionamento, se atentar aos sinais que indicam a presença de um estilo evitativo, ser autêntico, o que vai permitir que a outra parte reaja, demonstrando como ela avalia as situações, conhecer mais pessoas pra ajudar a dessensibilizar um pouco o apego inicial e não haver um hiperfoco em apenas uma alternativa, e dar uma chance real aos seguros, sem confundir a calma do relacionamento com falta de atração.

Estilo de apego evitativo

O estilo de apego evitativo é o viajante solitário.

O capítulo sobre ele começa descrevendo o best-seller de Jon Krakauer, Na Natureza selvagem.

Chris McCandles, estudante e atleta brilhante com pouco mais de 20 anos vai sozinho para uma região selvagem no Alasca com o objetivo de viver da terra sem a ajuda de outros seres humanos. Ele encontra várias pessoas que o convidam para fazer parte de suas vidas no caminho, mas recusa todas. Ninguém da sua família ou amigos sabiam de seus planos. Ele cruza um rio gelado, se embrenha no mato e vive sozinho por vários meses. Na primavera seguinte, porém, quando tenta voltar pra casa, o rio está caudaloso por causa das chuvas e da neve derretida. Sem conseguir voltar, ele morre no seu acampamento-base. Nos últimos dias de vida, ele deixa registrado no seu diário “A felicidade só é real quando compartilhada”

Chris aqui é uma metáfora para as pessoas que idealizam uma vida de autossuficiência e desprezam a dependência.

Essas pessoa tendem a reprimir as emoções em vez de expressá-las, ignorando os próprios medos e necessidades. Segundo alguns estudos descritos no livro, eles possuem o mecanismo de apego, como qualquer outra pessoa, mas empregam uma boa dose de energia mental pra suprimi-la.

Quando essas passam por um baque muito grande na vida, essas defesas são derrubadas e então elas se comportam exatamente como pessoas de apego ansioso.

Evitativos são solitários dentro de relacionamentos, tem dificuldade de aceitar os parceiros, de depender deles e de acreditar que eles são especiais e únicos.

Eles adotam facilmente estratégias de desativação. Dizem não estar prontos para compromissos, mas continuam em relações; concentram-se nas pequenas imperfeições do outro; fantasiam sobre ex parceiros ou então “a pessoa certa”; flertam com terceiros; afastam-se quando as coisas vão bem; estabelecem relacionamentos com futuros impossíveis, por exemplo, com pessoas casadas; guardam segredos e não são claros; e evitam proximidade física.

Eles confundem independência com autossuficiência, deixando de ter a alegria de se sentir parte de algo maior do que si mesmos. Tendem a ver o copo meio vazio em vez de meio cheio, diminuindo o valor das coisas boas e acentuando as das ruins.

Na esmagadora maioria das vezes, presumem que a dificuldade de encontrar felicidade num relacionamento tem pouco a ver com eles e muito mais com as circunstâncias externas.

Em vista disso tudo, o livro traz algumas recomendações para que o tipo evitativo deixe de afastar o amor. Primeiro, é preciso uma boa dose de autoconhecimento e depois a identificação e mudança de comportamentos.

É preciso identificar as estratégias de desativação, se concentrar em apoio mútuo, encontrar um parceiro seguro, estar consciente da tendência a interpretar erroneamente comportamentos, acreditar que o outro tem as melhores intenções, lembrar-se de razões pelas quais um relacionamento o faz grato, exorcizar o ex “fantasma”, esquecer a ideia de que vai haver uma pessoa certa já dada e pronta pra você, que não vai te exigir nenhum esforço, e adotar estratégias de distração para ser capaz de baixar a guarda.

Estilo de apego seguro

Encerrando os perfis, há o estilo de apego seguro. Eles têm um efeito amortecedor em tipos inseguros, geralmente os tornando mais seguros. Elas esperam de primeira que os parceiros sejam amorosos e receptivos, assim não se preocupam demais em perder o amor dos outros e nem levantam suspeitas indevidas. Eles sabem se aproximar e se comunicam bem.

São grandes pacificadores de conflito, mentalmente flexíveis, comunicadores eficazes, não fazem joguinhos, ficam à vontade com proximidade, perdoam com facilidade, tendem a enxergar como uma coisa só sexo e intimidade, tratam bem os parceiros, são autoconfiantes e se responsabilizam pelo bem-estar do parceiro.

Em geral, elas tem uma predisposição biológica pra isso unida a experiências de infância positivas, com apoio social e baixos níveis de estresse.

Eles escolhem bem os pares, exatamente por não caírem nas mesmas armadilhas dos ansiosos e dos evitativos. Eles sabem que existem muitas pessoas abertas à intimidade e à proximidade. Sabem que merecem ser amados e valorizados.

Contanto que não se tornem menos seguros no meio do caminho ou aceitem um comportamento inadequado do parceiro por um longo prazo, tendem a levar bem os relacionamentos. Os problemas só costumam aparecer quando há uma má parceria ou então passaram ou estão passando por uma fase muito difícil.

A armadilha ansioso-evitativo

O livro tem uma sessão inteira só descrevendo relações ansioso-evitativo. Esses relacionamentos, como eu comentei, exacerbam as inseguranças mútuas. Quanto mais o ansioso se aproxima, mais o evitativo se afasta. Existe uma montanha-russa nessas relações, sensações de superioridade e inferioridade, instabilidade mantida por longos períodos, brigas sem sentido, piora no tratamento com o aumento da intimidade e dificuldade em partir.

Em geral, o que se quer numa relação é resolver os conflitos, mas isso reestabelece contato, o que os evitativos tendem a rechazar. Assim, o evitativo tende a piorar a medida que as discussões progridem. Ansiosos tendem a ir perdendo espaço na relação, por se adaptarem a ela e aceitam menos do que precisam pra se sentirem confortáveis de fato.

Como obter mais segurança

Para melhorar essas relações, os especialistas recomendam se lembrar de momentos ou outras relações seguras, que podem servir de inspiração. Isso permite um priming, isso é, uma pré-ativação de segurança. É preciso que haja um modelo positivo para nortear a relação.

Uma boa opção é analisar como foram experiências passadas e remodelar o próprio funcionamento, pensando nelas com as lentes da teoria do apego. É possível pensar sobre quais circunstâncias foram vividas e quais respostas foram adotadas, e quais respostas poderiam ser mais adequadas e seguras. O livro fornece tabelas pra esse tipo de exercício e um guia de pensamentos, atos e emoções comuns em ansiosos e evitativos.

A ideia é montar um inventário que possa servir de apoio pra resolução de conflitos.

Talvez seja necessário aceitar também que esse tipo de relação terá algumas limitações e alinhar as próprias expectativas. Ser mais grato pelo aspectos positivos e se adaptar às restrições que aparecem.

Se esse for o caso, é preciso ter em emente que o nível de satisfação nesses relacionamentos costuma se mais baixo do que o de outras pessoas que não passam pelas mesmas batalhas. Os problemas com apego são diferentes de problemas comuns, são mais incisivos e fundamentais.

É por essa razão que o livro também traz um guia pra rompimento.

Como romper com o apego

É importante saber que existem relações melhores, admitir que há um problema e superar a tendência que o nosso sistema de apego tem de nos desencorajar à solidão. Nesse caso, estratégias de desativação podem ter um benefício. Elas geram distanciamento emocional: às vezes, a gente precisa se lembrar de tudo que nos separa do outro e de todos os indicativos que temos de que as coisas, de verdade, não vão mudar.

Resolver as necessidades de apego de outras maneiras e contar com uma rede de apoio são igualmente boas práticas. Por mais que doa no momento, é preciso lembrar que a dor, como tudo, um dia passa.

Comunicação efetiva

Ao fim, o livro recomenda sempre o uso de uma comunicação efetiva. Isso significa ser claro e honesto do que pensa e sente, considerando também o lado da outra pessoa. Expressar necessidades e expectativas sem um tom acusatório.

Sendo honesto, você consegue ver a reação do outro e saber se ele te leva ou não a sério, se considera, além dos fatos, as suas emoções, e o que tenta fazer pra te deixar melhor.

Ao contrário do comportamento de protesto ou da desativação, a comunicação eficiente vai deixar claro como o outro escolhe reagir. Reagir à sua necessidade, e não a uma cena ou a um afastamento forçado.

Ser eficiente comunicando ajuda a caminhar em direção a metas de longo prazo. Um parceiro evitativo deve, por exemplo, deixar claro para o outro que sua necessidade de espaço não é pessoal, mas um imperativo em qualquer relação, e encontrar um acordo com a outra pessoa. Assim, é possível evitar a dinâmica de aproximação e afastamento, e mais provável que consiga de fato seu espaço.

5 princípios seguros para resolver problemas são:

  • Demonstrar preocupação pelo bem-estar do outro

  • Concentrar-se no problema em questão

  • Evitar a generalização do conflito

  • Estar disposto a se envolver; e

  • Comunicar de forma efetiva sentimentos e necessidades.

Num relacionamento, o bem-estar do outro deve ser tão importante quanto o seu. Assuntos delicados sempre devem ser postos à mesa. Talvez as soluções não sejam imediatas, mas saber que o outro está aberto pra ouvir e que a coisa não vai irromper descontroladamente no futuro faz toda diferença. Esperar pelo pior costuma ser uma profecia autorrealizável.

Concluindo, pessoas têm capacidades muito diferentes para intimidade, numa parceria os dois consideram responsabilidade assegurar o bem-estar mútuo, a necessidade de apego é legítima, relações devem nos fazer sentir autoconfiantes e acima de tudo é preciso que nos mantenhamos fiéis a nossos eus autênticos, o que nem sempre é fácil

Esser livro é um livro muito completo sobre o tema e eu recomendo pra qualquer um que queira um instrumento pra analisar esses tipos de dinâmica. Deixem nos comentários como foram as suas experiências em relação a isso, se essa publicação tiver feito sentido, deixe sua avaliação e se acompanhe para mais conteúdos.

A gente se vê por aqui ou outras redes. Bons afetos, e Tchau, tchau.

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